Consumir ou não Consumir? A regra é julgar: necessário ou supérfluo?
- Vagner da Silva

- 22 de mai. de 2023
- 3 min de leitura
INTRODUÇÃO
Não basta pensarmos em sustentabilidade.
Nossos hábitos de consumo estão alinhados ao que hoje se espera dos cidadãos e da sociedade em geral para lidar com os desafios de maior pressão sobre os recursos do planeta?
Atualmente, somos 8 bilhões de "consumidores" na Terra.
Se todos adotarmos os padrões de consumo do norte global não seria difícil que encurtássemos o caminho para uma escassez cada vez maior de recursos para sustentar todas as vidas que dependem do único planeta habitável em muitos anos-luz já pesquisados dentro e fora de nosso sistema solar.
As organizações e companhias operando no regime capitalista têm, no presente, força muitas vezes maior que países inteiros, seus governantes e sociedades, conduzindo grande massa de admiradores ao consumo constante sem suficiente reflexão sobre esse simples gesto. Multiplicado pelos milhões de consumidores ao redor do mundo, ele implica em toneladas de recursos e de resíduos e efluentes dispostos inadequadamente no ambiente, contribuindo para o decréscimo da qualidade de vida de muitas comunidades, principalmente as menos favorecidas.
Empresas têm recebido muitos questionamentos relativos a sua influência sobre a sociedade e a forma como se relaciona com grupos específicos, além das suas estratégias de propaganda e "marketing" na divulgação e oferta ao mercado de seus produtos.

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Muitas têm desenvolvido técnicas diferenciadas para redução de embalagens.
Outras, revertendo a cadeia de disposição de resíduos, reaproveitando-os como matéria-prima que irá consumir menor energia na produção de produtos novos.
Ainda há as que substituem recursos por outros biodegradáveis e de menor impacto no ambiente.
Algumas, ainda poucas, repensam o modo como devem engajar seu próprio público-alvo, em campanhas em prol da sustentabilidade, a partir de conceitos que seus criadores imaginaram ser pilares inegociáveis de sua própria existência. Este é o caso da PATAGÔNIA - ou pelo menos é o que ela quer que o mercado e seus consumidores acreditem.
Com produtos de muita qualidade, nada acessíveis - fazendo com que muitos a tratem como "PataGucci" em alusão à marca italiana relacionada a extravagância e preços altíssimos de seus itens, e com um número extraordinário de fiéis consumidores, a companhia alcança altos índices de lucratividade mantendo um espírito agradável na relação com o meio ambiente e ativistas, envolvida em ações com organizações não-governamentais e levantando a bandeira do consumo consciente.
Campanhas inusitadas e controversas permeiam a trajetória da empresa, solicitando aos seus consumidores maior juízo de valores no momento de adquirir novos produtos e incentivando-os a repararem ou comprarem artigos já usados, para reaproveitamento dos materiais ainda em condições de bom uso.
Do ponto de vista da sustentabilidade, há que ser analisado que não existe mudança promovida pelo homem que não gere impacto. Desta forma, apesar desse "compromisso" assumido pela companhia, ela continua apresentndo efeitos colaterais ao planeta com sua operação. Porém, é preciso reconhecer que seus esforços em conscientização de consumo minimizam, ou tentam minimizar, nesta ou em outras esferas do capitalismo, pelo seu exemplo, tais impactos.
Paradoxalmente, com este comportamento, atrai mais consumidores e fiéis defensores, que se engajam em suas causas e vislumbram um futuro onde todas as demais companhias poderiam participar do processo de desenvolvimento sustentável da sociedade de vanguarda global.

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Observação: estudo realizado para disciplina de Mestrado, em 2020.
Link para documento integral do estudo:
https://1drv.ms/b/s!Ahp2ZgTwB_3GgUJ8SHrd0olRn8CL?e=5JaXpG
REFERÊNCIAS
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