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Países comparados a partir de seus desenvolvimentos sociais - subsídio para potenciais de negócios

  • Foto do escritor: Vagner da Silva
    Vagner da Silva
  • 6 de jan. de 2023
  • 6 min de leitura

RESUMO


Cada país apresenta suas características próprias. Generalizando, desde sua localização geográfica no planeta e a maior ou menor influência do clima, relevo e recursos naturais disponíveis, assim como aspectos culturais, seu nível de desenvolvimento – que sempre na história econômica se baseou em nível de crescimento e acúmulo de ativos, é afetado para que seja ou não incrementado.




Através do tempo e da evolução de determinadas sociedades na percepção e valorização de aspectos como educação e saúde, por exemplo, complementando aspectos ambientais e geográficos também favoráveis, a expansão do desenvolvimento foi mais notória, por se utilizarem de tecnologias aprimoradas por seus cidadãos capazes de se dedicarem a tais intentos, em um ciclo virtuoso dentro do contexto econômico do período.


Após anos sendo o único índice que era capaz de expressar com maior clareza e de modo simplificado a todos os públicos qual era o nível de desenvolvimento de uma nação, ou região, o PIB começou a ser questionado como tradutor do significado de prosperidade e desenvolvimento humano. Assim, a partir da dedicação de economistas com maior visão sobre a distribuição de renda e seus benefícios, com especial atenção ao que ocorria aos países emergentes, em desenvolvimento e às desigualdades lá presentes, outros índices também foram desenvolvidos para identificar com maior aderência a real condição de desenvolvimento humano sob óticas diferentes da que exclusivamente era oferecida pelo PIB per capita.


Portanto, outras siglas como as do Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, Índice de Pobreza Multidimensional – IPMD, Índice para Normas Sociais de Gênero – INSG foram incorporadas entre os economistas e estatísticos com o objetivo de melhor interpretar o comportamento social, econômico e ambiental das sociedades e seu reflexo no desenvolvimento e prosperidade que se almeja para todos.


IMPORTANTE: Pense que a proposta do levantamento faz parte de suas atribuições para avaliação do portfólio de negócios que sua empresa possuiria nos países mencionados incorporando aí as cadeias de suprimento e mercados de distribuição de produtos e serviços, qual o potencial de cada país frente a essa perspectiva?


Observação: estudo realizado para disciplina de Mestrado, em 2020.




CONCLUSÕES


Alemanha e Nova Zelândia são os países de destaque entre os selecionados relativamente ao desenvolvimento humano e bem-estar de seus cidadãos. Os primos ricos que causam “inveja” aos demais.


Apesar de estarem bastante distantes, possuírem características geográficas e histórico-culturais diferentes, com a Nova Zelândia sendo muito mais nova em sua ocupação pelo “homem branco europeu”, organizaram suas sociedades e mantiveram ao longo do tempo ações que ofereceram maiores possibilidades aos seus cidadãos de acessarem recursos, e serviços essenciais, em nível que os colocam assistidos nas necessidades mínimas que hoje são reconhecidas como mantenedoras de bem-estar e desenvolvimento humano. A influência migratória é maior na primeira (Alemanha) e esse é um constante desafio para que ela continue nesse altíssimo patamar de desenvolvimento humano extensivo a todos, no seu território.


Apenas considerando o IDH, teríamos uma sequência de Coréia do Sul, Argentina, México, China, Ucrânia e Filipinas – no grupo de nível entre muito elevados (os dois primeiros) e elevados (os demais). Sobressaem nesse subgrupo a Coréia do Sul e Argentina. Por outro lado, notamos dimensões ligadas a gênero em que ambas sociedades demonstram menor, digamos assim, “afeição”, de modos distintos e que as colocam em posições inferiores de bem-estar.


Enquanto o mundo apresenta tendência de maior expectativa de anos escolares das mulheres em relação

aos homens, na Coréia do Sul ocorre o inverso. Além disso, o mesmo se confirma na média de anos escolares praticados pelas mulheres em relação aos homens nesse país asiático. Sua relação de renda é de 2.16 vezes favorável aos homens. Porém, quando se trata de desigualdade entre gêneros a Coréia do Sul compensa essa fragilidade no desenvolvimento, diminuindo sensivelmente a vulnerabilidade de adolescentes a partos e mortalidade materna e, no grupo, está entre os quatro que possuem grande parcela da população feminina com, no mínimo, a educação secundária.


Por seu lado, a Argentina em IDH-G vai bem com ótimos níveis educacionais para as mulheres que não se refletem em melhores rendas, comparativamente aos homens, sendo essas 1.93 vezes menores. Nas dimensões de desigualdade de gênero, há ainda alta mortalidade materna e adolescentes passando por gravidezes, com pouco menos de 2/3 das mulheres apresentando no mínimo o ensino médio. Apenas países como Iraque e Guiana têm índices piores para a vulnerabilidade das adolescentes do que a Argentina.





O México tem uma grande parcela de sua população menos favorecida exposta principalmente a riscos de

saúde, o que influencia seus índices de pobreza ainda mais para o baixo nível de desenvolvimento e bem-estar.


A China ocupa a liderança na evolução do nível de desenvolvimento humano entre os países selecionados

desde os anos 1990. É certo que o tipo de regime não democrático pode omitir informações indesejáveis

ou fazer transparecer apenas situações que a favoreçam em certos aspectos e, principalmente por pressão

de mercados com que vem negociando, há cobrança por maior transparência, o que certamente ocorrerá

com maior intensidade após a Pandemia da COVID-19 que, eventualmente ou não – a se investigar, se originou naquele país.


Após queda bem acentuada de seu IDH nos anos 1990, a Ucrânia detém índices e dimensões invejáveis

para países em desenvolvimento. Uma clara vantagem em relação aos demais é fazer parte da Comunidade

Europeia, de grande auxílio neste processo.


O destaque Filipino é na educação secundária feminina acima de 25 anos. Fica atrás apenas da Nova Zelândia.


Iniciando o grupo restante dos países de desenvolvimento médio, o Iraque perde oportunidades, quando

comparado aos demais países em desenvolvimento, por não estimular o desenvolvimento das mulheres.

Marrocos possui uma posição geográfica privilegiada, mas não se vale disso para melhorar, até o momento, seus índices de desenvolvimento humano. Está entre os piores do grupo selecionado de países na representatividade parlamentar feminina, assim como a Índia, a Coréia do Sul e a Ucrânia.


A Guiana de poucos habitantes e pequeno território de alta biodiversidade baseia sua economia no extrativismo. Além do desafio da sustentabilidade atravessar questões relacionadas aos recursos naturais, o viés social é ainda precário pois suas taxas de gravidez / nascimento e morte de mães entre adolescentes são as maiores entre os países selecionados.


Ao lado de China e Marrocos, entre os selecionados, a Índia foi dos países que mais evoluiu no nível de

desenvolvimento humano e bem-estar para seus cidadãos no período de 1990 à 2018. Seus maiores desafios estão na combinação de grande população, oportunidades às mulheres e as barreiras da tradição e cultura seculares que ainda causam grande divisão de acesso às liberdades individuais dentro de sua sociedade.


Após os anos que se seguiram de encorajamento e resultados que podem ter sido considerados expressivos na redução da desigualdade mundial, a crise econômica e social de 2020 causada pela Pandemia da COVID-19 vai restabelecer algumas importantes lacunas na comunidade global.


A partir dessa perspectiva nada animadora para os próximos anos, com um longo período de recuperação

adiante, poderemos nos conscientizar sobre a capacidade de nos mobilizarmos para reduzirmos efetivamente as desigualdades ao mesmo tempo que promovemos a sustentabilidade?


Na década de 1970 houve embate entre os países considerados de 1º mundo contra os de 3º mundo, quanto aos modelos de desenvolvimento, refletindo na qualidade de vida de seus cidadãos.


Com isso, o quadro que se apresenta fomentará discussões – que ainda não foram definitivamente resolvidas, como as que trazem países de nível elevado e muito elevado de desenvolvimento cujos territórios já apresentam desafios de uso de recursos repensando seus modelos de “exploração” do meio ambiente, bem como, países de médio ou pouco desenvolvimento recebendo incentivos para adotarem práticas menos impactantes. Seria isso viável, ou a única alternativa para a “cobertura” da expectativa às gerações futuras?


Parâmetros como os idealizados na confecção do IDH e as demais dimensões que o compõem atualmente

ajustam a visão de desenvolvimento humano e bem-estar. Por outro lado, o modelo econômico mundial

ainda domina a evolução dos países e replica nos menos desenvolvidos o desejo de alcançar padrões de

vida semelhantes ao alcançado por europeus e americanos do norte – principalmente EUA e Canadá.


Esses tipos de modelos, apropriados e dominados prioritariamente por europeus e americanos do norte,

não criarão—se já não criaram, uma ditadura do IDH (apesar das outras dimensões), assim como a criada

pelo PIB desde sua maior utilização no início do século XX, para se mirar um desenvolvimento humano e

bem-estar utópico e inatingível pelos que vivem nos países menos desenvolvidos ou sociedades desiguais?





BIBLIOGRAFIA


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