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Povos originários - Futuro assessorado pelo conhecimento histórico

  • Foto do escritor: Vagner da Silva
    Vagner da Silva
  • 4 de jun. de 2023
  • 4 min de leitura

Este texto se baseia em um excelente trabalho realizado pela fotógrafa e artista visual Dani Sandrini e sua Mostra: Terra, Terreno, Território, que está acessível em uma das salas de exposição da FIESP/SESI CULTURAL, na Avenida Paulista, 1313, São Paulo/SP, e visitada no último dia 03 de junho de 2023.


Em plena semana do meio ambiente (05 de Junho - Dia Mundial do Meio Ambiente - instituído desde 1972, na Conferência da ONU para o Meio Ambiente Humano de Estocolmo, na Suécia), celebrada mundialmente, a mostra representa os povos originários/indígenas, residentes na cidade de São Paulo, em momentos de seu cotidiano, capturados em fotografias que foram impressas em folhas naturais de plantas nativas e emoldurados.


Há, ainda, projeção de vídeos com testemunhos desses representantes dos povos originários ricos em seus saberes e definições sobre sua cultura e costumes que contrapõem o modo de vida moderno da sociedade capitalista na qual estão inseridos. Declaram serem contestados tanto por se aterem a essa cultura originária ou se adaptarem à cultura capitalista – buscando se desenvolver para defenderem essa cultura originária perante a sociedade moderna.


Um dos entrevistados/depoentes, enfatizou a diferença cultural existente entre os povos originários/indígenas já habitantes deste território quando da chegada dos europeus – representados pelos portugueses.


Desde aquela época é frisada a tentativa de alterar a ideia por trás do uso de recursos que ocorre, nítida e contrariamente, entre essas duas sociedades.


Uma das passagens do vídeo e depoimento destaca...


“que os portugueses observavam como produziam e se comportavam os indígenas, relativamente ao que a terra oferecia e seu modo de vida.


O exemplo compartilhado para parametrizar essa desconexão no uso de recursos entre as duas culturas partiu de uma tarefa aparentemente simples.


O grupo de indígenas era observado ao cortar e derrubar uma grande árvore, que posteriormente teria seu uso definido para contribuir com a comunidade (como canoa, estrutura de moradia, entre outros usos possíveis), fazendo isso a partir da utilização de ferramentas rudimentares, como machadinhas de pedra.


Foi informado que essa tarefa, nesses moldes, levava aproximadamente uma semana (7 dias).


Com a intenção de contribuir para a melhoria deste processo – de acordo com a cultura e visão europeias, os portugueses ofereceram facões/machados àquela sociedade, para que aumentassem sua produtividade e reduzissem tanto esforço ao utilizarem ferramentas simplórias.


Na sequência de observação que empreenderam naqueles tempos, os portugueses se surpreenderam quando a mesma atividade era feita em apenas um dia pelos mesmos representantes desses povos originários/indígenas.


Por outro lado, a surpresa foi ainda maior quando perceberam que, apesar de terem terminado a tarefa rapidamente, esses representantes descansavam ou partiam para outras atividades – muitas delas sociais, da comunidade nos outros 6 dias.


Foram, então, questionados pelos europeus sobre o porquê de não continuarem com aquela atividade pelo resto da semana, pois poderiam auferir ganhos muito maiores e acumular riquezas a partir dela...” (Sandrini, 2023).


Crédito: Fotomontagem e fotos Vagner da Silva. SkyMoonLake Jun-03-2023


Portanto, a visão de produtividade desarmônica com os recursos – tempo e meio ambiente, é um referencial que permeia, desde tempos coloniais, a dinâmica que hoje verificamos ser pressionadora na sociedade global dominada pela cultura europeia com foco na produção de riquezas e acúmulo de bens.


Notam-se, contraditoriamente àquilo que se via no exemplo compartilhado e pelo prisma europeu da época, movimentos de empresas em busca de equilíbrio entre vida pessoal e produtiva, com estudos e experimentos reduzindo os dias de semana trabalhados contribuindo para o alcance de maiores índices produtivos e níveis de motivação de colaboradores – portanto, já comprovados pelos povos originários/indígenas há mais de 500 anos como benéficos para o planeta e sua comunidade.


Assim, o olhar atento para o passado é, também, contribuinte para o entendimento de princípios que apontam para futuros com maior qualidade, adaptáveis a realidades cujos recursos são, incontestavelmente, finitos.


Isso vai de encontro aos anseios do debatido multilateralmente e aprovado como princípios a serem perseguidos como metas nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), no ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU, 2015), sob vários aspectos que contemplam a Agenda 2030.


Quem ainda contesta a preservação das culturas dos povos originários não está disposto a aprender com aqueles que dedicaram várias gerações a observar o comportamento da natureza do planeta e como se comportar harmonicamente com esses entes fundamentais para a sobrevivência da própria raça (humana), mantendo a qualidade de vida dos próximos descendentes.


Seja qual for a atividade a ser desenvolvida – que indubitavelmente gerará impactos, deverá iniciar seu processo de viabilidade com a minuciosa atenção a esses detalhes que se alinham à sustentabilidade.


Esta sustentabilidade estará sempre no cerne do debate que subsidie estudos para análise de riscos em projetos (públicos, privados ou do terceiro setor) seja pelo ponto de vista ambiental, social ou econômico – interconectados na atuação tanto perante a comunidade local quanto a sociedade global, levando em consideração desafios e oportunidades inerentes à atividade humana no planeta.


Serviço e créditos (fontes):


ESPAÇO: FIESP – SESI CULTURAL

ENDEREÇO: Av. Paulista, 1313 – Jardim Paulista

ARTISTA: Dani Sandrini (2023)

MOSTRA: Terra, Terreno, Território – produção de imagens do cotidiano dos representantes dos povos indígenas/originários de São Paulo (cuja população é a 4ª do Brasil – IBGE, 2010), impressas em folhas naturais de plantas nativas

VISITADA EM: Junho – 03 – 2023

Destaque: Vídeo produzido com depoimentos dos representantes dos povos indígenas/originários da cidade de São Paulo.


REFERÊNCIAS:


Sandrini, D. (2023). Terra, Terreno, Território. Mostra áudiovisual. FIESP/SESI Cultural. 2023.


UNITED NATIONS GENERAL ASSEMBLY: A/RES/70/1 “Transforming Ou r World: The 2030 Agenda for Sustainable Development”. Setembro/2015. New York. Disponível em https://sustainabledevelopment.un.org/post2015/transformingourworld/publication . Acesso em: 05/05/2021.

Créditos: Trabalho de Dani Sandrini (2023). Foto: Vagner da Silva (2023).

 
 
 

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